Invisibles No Longer

by Admin
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Invisibles No Longer

Na exposição “Invisibles No Longer”, patente na rua João da Penha, n 14, em Lisboa, até 14 de Junho, a artista Alice Marcelino, dá visibilidade ao drama da Windrush Generation, através de uma série de imagens captadas no Reino Unido, e reflete também sobre a invisibilidade de pessoas negras na sociedade portuguesa, com imagens que visam celebrar o cabelo africano. É mais uma mostra da Galeria MOVART, que vê na arte um actor essencial para a criação de um mundo globalizado onde prevaleça a abertura de espírito, a diversidade de realidades e, a busca de uma humanidade comum, pela crítica do mundo em que vivemos.

Alice Marcelino, artista visual trabalhando principalmente em fotografia, vive e trabalha entre Londres e Lisboa. A sua obra, toda ela política, é também ditada pelas experiências e ambientes em que se encontra. O projecto “Love 2 remember”, dedicado à Winsdrush Generation, nasce do drama de meio milhão de pessoas que se mudaram das Caraíbas para a Inglaterra, entre 1948 e 1971, devido a uma escassez de mão-de-obra na sequência da Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, elas e os seus descendentes viram os seus direitos violados por detenções injustas, ameaças de deportação e pela total negação de direitos legais. Defrontada por esta situação, e pelo seu interesse em noções de ritual e tradição, Alice Marcelino começou a fotografar os funerais dessa população explorando sentimentos de perda, mas também de celebração e de comunidade.

Alice Marcelino

Ao ilustrar emoções e situações comuns à humanidade, a artista procura mostrar uma população silenciada, como igual, tentando escapar ao que Chimamanda Nzogi classificou em 2009, como “o perigo da história única”. Citando a curadora da exposição, Maria de Brito Matias, “a ameaça de uma única narrativa tem por base preconceitos e histórias que impedem o olhar o outro como seu semelhante e que permitem, que casos como o da Windrush Generation se repitam pelo tempo e pelo mundo”.

Alice Marcelino ilustra também a falta de discurso em Portugal, sobre temáticas que na Inglaterra se debatem, mesmo que não o suficiente, como a descolonização, o racismo, o preconceito e a identidade. Em Portugal o cenário é de uma intolerância silenciosa, tanto ou mais perigosa que o sectarismo vocal.

Existe em Lisboa e em Portugal uma invisibilidade global de pessoas negras sobre a qual a artista reflecte na proposta “Kindumba”, palavra que dá o título a série de imagens “O meu cabelo”. A mostra pretende falar do conceito eurocêntrico de beleza e desconstruir narrativas que impedem que pessoas negras se vejam representadas nos Media ou enquadradas no standard de beleza ocidental e apareçam em anúncios, capas de revistas, campanhas, na televisão etc.. As peças em cobre da série “Kindumba”, são uma celebração do cabelo negro, e uma manifestação da artista de amor à sua identidade.

A curadora sublinha que o conceito a retirar desta exposição é: resiliência, a que foi necessária no Reino Unido, face à injustiça e discriminação e a que é necessária diariamente, por parte das pessoas silenciadas e tapadas por um manto de invisibilidade em Portugal.

Alice Marcelino formou-se no East London University em 2016, com um BA (Hons) em fotografia e está fazer um mestrado em Digital Media na Goldsmiths University em Londres. O seu trabalho explora cultura, tradição, migração e identidade, reflectindo sobre o seu significado no nosso mundo globalizado em constante mudança.

A galeria MOVART, presente em Angola, desde 2017, na Marginal de Luanda e desde 2020, em Lisboa, é um projecto fundado por Janire Bilbao, tem participado em feiras de arte em Madrid, Paris, Londres, NYC, Miami, Joanesburgo e Cidade do Cabo, para citar alguns. Através da organização de múltiplas exposições com curadores convidados, eventos e exposições pop-up em todo mundo, a MOVART quer em particular, assegurar que o mundo conheça tudo o que a África e a sua diáspora, em particular a lusófona, têm para oferecer, não através de uma visão de “otherness”, ou exotismo, mas na visão de artistas que expressam uma realidade e discurso muitas vezes invisível ou subrepresentado na cena artística internacional.