Alfragide: Impunidade e incumprimento

by Admin
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Alfragide: Impunidade e incumprimento

As lições da Esquadra de Alfragide

Passados oito anos sobre os acontecimentos do que se passou a chamar “Caso da Esquadra de Alfragide”, as organizações O Lado Negro da Força e Afrolink promoveram a 4 de Fevereiro  nos seus encontros, “As conversas por Fazer”, um debate denominado: “As lições da esquadra de Alfragide”. Como convidados estiveram o advogado José Semedo e o artista Flávio Almada, envolvido no processo.

Para o artista Flávio Almada, “os malabarismos e manobras feitas pelo governo e polícia demonstraram o quão estruturante é o racismo em Portugal, na medida em que, há parcialidade na justiça e constata-se impunidade no resultado das medidas tomadas contra os polícias acusados e condenados no âmbito do Caso da Esquadra de Alfragide”.

O advogado José Semedo sustenta que não foi apenas uma luta processual, implicou uma luta noutras frentes e em condições muito desiguais “houve coisas surreais em todo o processo”.


De acordo com Semedo, “tivemos sempre grande dificuldade em obter informação sobre o estado dos processos. Em 2017 surgiu um chamado Movimento Zero, deu-se a mudança do Diretor da PSP e logo o Movimento Zero, desapareceu”.

Em jeito de conclusão José Semedo considerou que as Esquadras de Intervenção dos bairros sub-urbanos devem ser desmanteladas, pois os seus polícias não estão preparados para lidar com comunidades racializadas, “essas esquadras acolhem os agentes com baixo nível de aproveitamento em termos de formação, que, portanto têm menos capacidade de resistir a tensão e dialogar”.

São esquadras que são avaliadas pelo número de ocorrências às quais a polícia é chamada a intervir. “Ao que tudo indica vão-se buscar as ocorrências provocando os jovens num meio onde a maioria da população é negra e vulnerável. Embora o modelo da polícia de proximidade não seja exemplar, é seguramente melhor do que o que existe neste momento”, afirmou.

Publicaremos em breve, no canal do Youtube do BuÉtnico, a entrevista de Lúcia Gomes, advogada de defesa, que nos conta as voltas e contra voltas deste rocambolesco caso, que apesar do julgamento, e das sentenças proferidas parece estar longe de terminar de maneira justa para as vítimas e culpados.