Presidente em Portugal de uma ONG de defesa da igualdade de género, racial e social, a Plataforma de Apoio à Mulher Africana (PADEMA), Luzia Moniz, de descendência angolana, jornalista e socióloga é também colunista do jornal angolano Novo Jornal e Directora do jornal BuÉtnico.
A primeira compilação dos seus artigos no Novo Jornal foi recentemente publicada no livro, “Silenciocracia, jornabófias e outras mazelas”. Com prefácio do historiador Jean Michel Mabeko- Tali, a obra lançada na Casa da Imprensa em Lisboa foi apresentada pela Dra Francisca Van- Dunem, pelo sociólogo Manuel dos Santos, sociólogo, tendo contado com a intervenção do editor do livro, João Ricardo da Perfil Criativo.

Ao intervir Francisca Van-Dúnem, jurista e ex-ministra da Justiça em Portugal considerou Luzia Moniz, “uma mulher culta, informada de uma inteligência que irradia luz como o seu nome, “Luzia Moniz é uma mulher órfã, como tantas outras, de um projeto que não se cumpriu, dos grandes ideais pela independência dos países africanos, de que fala em vários textos do livro, com muita propriedade, em particular nos capítulos África e diáspora e democracia versus autocracia”. Afirmou.
“De uma maneira ou doutra, todos nos questionamos sobre os motivos da não realização dos ideais das independências e nos perguntamos porquê que os nossos irmãos estão condenados a errar como párias pelo mundo afora a procura do que lhes devia ser garantido no lugar onde nasceram, sujeitos a ser destratados, descriminados, brutalizados, porquê que não temos garantias de trabalho digno, de saúde, de educação na nossa pátria mãe? Muitos dos textos da Luzia têm o sabor dessa não realização” referiu Francisca.

A ex-ministra frisou ainda a coragem da autora de “Silenciocracia, jornabófias e outras mazelas…”, “não se esquiva à polémica, escreve com desassombro e com todas as letras, sem medo das palavras, pois conhece o peso e o poder das mesmas e usa-as como ferramenta de intervenção”. Por outro lado, realçou que não poderia estar mais de acordo com a jornalista quando aborda as desigualdades, quando fala de captura do estado por interesses privados, ou de combate à corrupção. “Luzia Moniz deve ser seguida, e lida com atenção pois tem um pensamento autónomo e a coragem de fazer ouvir a sua voz”, disse.
“Silenciocracia, jornabófias e outras mazelas”, é uma leitura essencial para a compreensão da história contemporânea de Angola e um contributo notável à abertura da sociedade ao pensamento crítico, e ao exercício da democracia almejada pelos angolanos.
Luzia Moniz foi representante da Agência de Notícias de Angola ANGOP, em Moçambique e em Portugal, onde vive e se destaca como ativista na luta contra a desigualdade de género, descriminação racial, segregação e injustiças sociais.
